Nicole Baêta
universoparalelo
Já calei demais. Engoli palavras pra não assustar, pra não desagradar, pra continuar sendo aceita. Mas o silêncio também dói. Ele grita por dentro — só que ninguém escuta. Escrevo porque, se não escrevo, me afundo. E eu já me afoguei em mim por tempo demais. Não me silencio mais. Nem por medo. Nem por amor. Nem por quem diz que é exagero sentir assim. Às vezes me pergunto se alguém vai ler. Se essas palavras terão morada, ou só ecoarão no vazio. Mas eu lembro: não escrevo para ser encontrada. Escrevo para não sumir de mim. Cada sentimento nomeado é um farol aceso. Mesmo quando não sei o nome, ainda assim acendo. Escrever é isso: deixar bilhetes no escuro, na esperança de que alguém — mesmo sem querer — acenda a luz.
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