Já calei demais.
Engoli palavras pra não assustar,
pra não desagradar,
pra continuar sendo aceita.
Mas o silêncio também dói.
Ele grita por dentro — só que ninguém escuta.
Escrevo porque, se não escrevo, me afundo.
E eu já me afoguei em mim por tempo demais.
Não me silencio mais.
Nem por medo.
Nem por amor.
Nem por quem diz que é exagero sentir assim.
Às vezes me pergunto se alguém vai ler.
Se essas palavras terão morada, ou só ecoarão no vazio.
Mas eu lembro:
não escrevo para ser encontrada.
Escrevo para não sumir de mim.
Cada sentimento nomeado é um farol aceso.
Mesmo quando não sei o nome, ainda assim acendo.
Escrever é isso:
deixar bilhetes no escuro,
na esperança de que alguém —
mesmo sem querer — acenda a luz.

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