Amor e Ódio

 


 



Uma vez, uma adolescente me perguntou: “Por que existe o ódio?”

Respondi: “Para que possamos reconhecer o amor. Como saberíamos a diferença se não houvesse contraste, não acha?”

Ela refletiu: “Hum... E qual é a diferença?”

Então, belisquei levemente o braço dela. Ela reclamou: “Ai!” Logo em seguida, dei um beijo no mesmo lugar, e ela sorriu.

“Percebeu a diferença?” perguntei.

Ela disse: “Um machucou. O outro não.”

Exatamente. O ódio fere. O amor acolhe. Muita gente acha que amor e ódio são complementares, dois lados da mesma moeda. Estão erradas. Quem ama não machuca. Quem ama teme até que o outro sinta dor. Quem ama, cuida. Entende?

Ela assentiu: “Então amar é cuidar e proteger quem se ama?”

“Sim. Mas cuidado para que o amor não vire posse ou controle. Isso é outra coisa. Amor também é liberdade, espaço, confiança, respeito.”

Ela, com o olhar um pouco triste: “E se um dia eu não souber diferenciar? Tenho medo de acabar como minha mãe... que confundiu ódio com amor por anos.”

Respirei fundo: “Não posso te prometer que conseguirá distinguir sempre. Somos humanos, sedentos por afeto. Às vezes, por carência, cobrimos os olhos diante da verdade só para não perder a chance de um ‘felizes para sempre’. Mas, escute: não é sua culpa. Mesmo assim, você precisa aprender a se amar, se cuidar, se proteger antes de fazer isso por outra pessoa. Sonhar com o ‘para sempre’ não é errado, mesmo que nasça de uma fantasia. Pode, sim, virar real. Quando você se colocar em primeiro lugar, sua chance de reconhecer o verdadeiro amor sobe para 99%. O 1% restante... bom, esse é da vida. E a vida, às vezes, bagunça tudo com apenas esse 1%. Ela não perdoa. Mas mesmo assim... não desista do seu final feliz. Eu realmente acredito que você merece.”

Ela sorriu. “Obrigada.”

Abraços.


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